CASO DE SUCESSO

Produção de uvas viníferas já é uma realidade no DF

Formada em agronomia, Isabella Bonato administra ao lado de seu pai, mãe e irmão, o vinhedo Oma Sena, um dos primeiros da capital federal

Quando criança, Isabella Bonato não titubeava ao responder sobre qual profissão gostaria de exercer quando crescesse. A brasiliense, hoje com 30 anos, transmitia segurança ao dizer que, ou se tornaria uma das primeiras mulheres astronautas do planeta, ou se formaria em agronomia, ocupação em que poderia auxiliar a rotina de seu pai, Jacó Paulo Bonato, que se dedicava ao cultivo de grãos em uma propriedade de 100 hectares localizada na área do Programa de Assentamento Dirigido do DF (PAD/DF), distante cerca de 60km do centro de Brasília.

O sonho de ser astronauta não vingou. Porém, Isabella concretizou sua outra vontade de infância e concluiu a graduação em agronomia pela Universidade de Brasília (UnB). Durante o curso, a jovem acumulou uma ampla bagagem de conhecimentos, fundamentais para a criação e o amadurecimento do Oma Sena, vinhedo criado por sua família e que colherá a primeira safra de uvas sauvignon blanc e syrah ainda neste inverno. A marca é administrada por Isabella juntamente com sua mãe Cristina, seu pai e o irmão Rafael.

O incentivo para o cultivo de uvas e a fabricação de vinhos em pleno Planalto Central – onde predomina o clima tropical, caracterizado por apresentar alternância entre períodos chuvosos e de seca – surgiu por volta do ano de 2016 e partiu do proprietário da Villa Triacca Eco Pousada e criador do primeiro vinho genuinamente brasiliense, Ronaldo Triacca, e dos proprietários da Fazenda Ercoara, Erbert Correia de Araújo, mais conhecido como Bebeto, e Rodrigo Sucena. Ao todo, eles convidaram dez famílias produtoras do DF e do Goiás.

“Eles já estavam enveredando por esse caminho e convidaram um grupo de agricultores amigos para entrar nessa empreitada. Naquele momento, apostar na produção da fruta era dar um tiro no escuro. A uva é uma cultura diferenciada; o processo para implantar e produzir é demorado e investir nessa ideia sem saber se iria dar certo, se o vinho seria bom, se a região realmente ajudaria foram questionamentos que nos acompanharam. Foram noites de muito frio na barriga”, relembra Isabella.

A ideia foi amadurecida em reuniões ao longo dos últimos anos, na qual os produtores eram informados sobre o potencial brasiliense para o cultivo da uva vinífera. Eles compreenderam que o terroir do Cerrado tem vantagens e singularidades, sendo propício para o plantio de uvas, com solos profundos e bem drenados, altitudes que chegam a 1.100m e uma grande amplitude térmica. No DF, os dias costumam ser quentes e as noites frias, principalmente durante o inverno.

Para que o empreendimento da família Bonato de fato ganhasse forma, eles contaram com o apoio do Sebrae no Distrito Federal. Junto à instituição, Isabella participou de missões empresariais para Petrolina, em Pernambuco; Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul; e para o Sul de Minas, na região da Serra da Mantiqueira, e adquiriu ainda mais conhecimentos sobre o cultivo da uva vinífera. “O trabalho do Sebrae foi fundamental para nós, produtores. Eles proporcionaram a virada de chave durante as viagens. Em Minas, por exemplo, nós conseguimos enxergar um contexto parecido ao que tínhamos no DF e que estava dando muito certo. Conhecemos vinhos premiados e as técnicas que eles utilizavam e essa percepção foi fundamental para ver que o negócio era realmente viável e que podíamos mergulhar nesse projeto”, conta a viticultora.

Uma das técnicas empregadas pela família Bonato no cultivo de suas uvas é a dupla poda ou poda invertida. Trata-se de um método inovador desenvolvido por pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) que consiste em modificar o ciclo da videira, permitindo que os produtores colham a fruta durante o inverno e não no verão. “Com isso, a uva é submetida a um amplitude térmica excelente. Aqui no DF o verão coincide com o período de chuvas e o inverno, não. Sem a chuva, várias doenças que poderiam acometer os cachos são evitadas e falta de água faz com que a maturação possa ser completa e que ocorra uma maior concentração de compostos e açúcares, o que não acontece em todas as regiões”, explica Isabella.

Após anos absorvendo conhecimentos e planejando estrategicamente a ideia de negócio, a família Bonato deu início ao cultivo das uvas no ano passado, já com a pandemia de Covid-19 acontecendo no país. Isabella inicialmente optou por destinar cerca de 0,8 do total de 100 hectares da propriedade para fazer um cultivo experimental, que rendeu 64 quilos da uva sauvignon blanc. A qualidade da fruta já foi validada por especialistas, mas, mesmo assim, a família continua a fazer estudos para acompanhar como o solo da propriedade se comporta.

Com os resultados positivos da primeira vindima, a família Bonato iniciou um processo de microvinificação e, no momento, já planeja alçar voos maiores. O objetivo é produzir vinhos utilizando outras variedades de uvas, e para isso Isabella ampliou a área de produção para 3 hectares, onde também estão sendo cultivadas uvas do tipo sauvignon blanc, syrah e também a cabernet sauvignon.

O espaço foi implantado no ano passado e a família colheu cerca de 300 quilos de uva syrah no início de setembro.

Vínícola Brasília

Além da produção própria, a família Bonato faz parte da Vinícola Brasília. O empreendimento reúne todas as dez famílias de produtores rurais convidadas por Ronaldo Triacca, Bebeto e Rodrigo Sucena, e está sendo erguido na região do PAD/DF, próximo ao Parque Ivaldo Cenci, onde é realizada a AgroBrasília.

O objetivo do espaço é servir de vitrine para a produção de vinhos de qualidade produzidos no território brasiliense e inserir o Distrito Federal no mapa do enoturismo nacional. Para isso, as propriedades estão se preparando para receber visitantes, fazer passeios harmonizados e eventos que valorizem a cultura do vinho local.

Assim como a família Bonato desenvolve o rótulo marca Oma Sena, as outras propriedades estão empenhadas preparando rótulos próprios para serem disponibilizados a quem frequentar a vinícola. A expectativa é de que o espaço, previsto para ser inaugurado em 2022, facilite a comercialização de 200 mil litros da bebida por ano.

A vinícola também funciona como uma sociedade colaborativa.  Com a união, os produtores adquiriram os equipamentos necessários para o processo de vinificação e assim reduziram custos. Eles também aproveitam a parceria para trocar experiências, impulsionar o crescimento um dos outros e, futuramente, esperam contribuir para a geração de riqueza na região e para o Distrito Federal.

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