Sebrae Inova Digital

Jaron Lanier defende a reinvenção da internet no encerramento do Sebrae Inova Digital

Último dia do evento organizado pelo Sebrae no DF ainda contou coma realização de painel sobre ética e privacidade digital

Um profundo debate sobre ética e privacidade abriu, na manhã deste sábado, 14 de novembro, o terceiro e último dia do Sebrae Inova Digital. O evento contou ainda com a aguardada palestra do cientista da computação Jaron Lanier, uma das mentes mais brilhantes do Vale do Silício e que contribuiu para a criação da rede mundial de computadores, no século passado. Ele pontuou razões para se recriar a internet.

O evento idealizado pelo Sebrae no Distrito Federal começou na última quinta-feira, 12 de novembro, e reuniu autoridades nacionais e internacionais para discutir temas como empreendedorismo, marketing digital e proteção de dados. Durante os três dias de duração, um público superior a 16 mil pessoas em todos os cantos do planeta puderam acompanhar a programação arquitetada para quem quer entrar e permanecer com segurança na era digital.

O superintendente do Sebrae no DF, Valdir Oliveira, declarou estar "repleto de felicidade" e agradeceu a toda a equipe de colaboradores que esteve empenhada na realização do evento, avaliado por ele como o maior da história da instituição. “Estávamos pensando em promover esse evento há muito tempo. Os canais digitais são vitais para os nossos empreendedores, mas, quando sentamos para debater e pensar em quem poderíamos trazer para essa realização, percebemos que era preciso ter um algo a mais; que era necessário transmitir a mensagem de que as redes sociais são sim fundamentais, mas que também é inescapável ter cuidado com elas. Nós do Sebrae no Distrito Federal conseguimos alcançar esse objetivo”, afirmou. Valdir ainda informou que a instituição pretende realizar uma nova edição do evento no próximo ano.

Os painéis e palestras realizados durante o Sebrae Inova Digital ficarão disponíveis no site do evento (www.sebraeinovadigital.com.br) entre os dias 16 e 22 de novembro. Também ficarão disponíveis, até o dia 30 de novembro, e-books e conteúdos complementares, dirigidos a empreendedores e outros profissionais dispostos a criar e implementar mudanças, inovações e melhorias em um mercado ou negócio.

Ética e privacidade digital: a ascensão da experiência mais segura para o cliente

A executiva e consultora nas áreas de inovação em negócios e transformação digital, Martha Gabriel, foi a primeira e se apresentar. Ela falou sobre a importância do direito à privacidade e de como empresas e organizações devem se comportar para proporcionar uma experiência mais segura a seus clientes no mundo digital.

Segundo a avaliação de Martha, nenhuma tecnologia pode ser considerada neutra, todas vêm acompanhadas de coisas boas e ruins. Com a mídias sociais não é diferente. “As redes digitais são ótimas, mas são vulneráveis, e nós precisamos enxergar com amplitude como elas e outras inovações entram em nosso cotidiano”, pontuou.

Martha reforçou sua opinião citando o escritor e futurista norte-americano Alvin Tofler, que certa vez falou que mudança é o processo no qual o futuro invade nossas vidas. “As mudanças foram aceleradas com a chegada do novo coronavírus e cabe a nós usar a ética e a moral para analisar o que está entrando em nossas vidas. Moral e ética são aspectos que levam a gente para frente, que regulam a nossa relação e tornam a gente e o mundo mais sustentável, Não adianta se empolgar com a esteira da evolução tecnológica e esquecer que somos vulneráveis, rodeados de ameaças”, concluiu.

Na sequência, In Hsieh, considerado um dos principais especialistas quando o assunto é inovação, startups e investimentos em tecnologia entre Brasil e China, trouxe à tona detalhes sobre cultura e tecnologia do país asiático. Ele mostrou como o país com o maior mercado do mundo pensa e age para o desenvolvimento de novas tecnologias.

Na opinião de Hsieh, o modelo chinês pode contribuir e muito para transformar o ecossistema de inovação brasileiro e um dos caminhos possíveis seria realizar grandes investimentos em startups brasileiras. Ele citou casos conhecidos, como os investimentos que a Didi fez na 99, a Tencent no Nubank e o Alibaba na Stone. “Se dados são o novo petróleo, as plataformas são os novos motores”, afirmou o especialista.

O professor Clóvis de Barros Filho propôs uma reflexão aos participantes em torno dos conceitos de moral e ética. Ele explicou a origem dos termos, a diferença entre eles, e afirmou não se tratar de palavras similares, mas sim de duas extremidades de uma mesma gangorra. “A moral é algo que aparece com toda sua força e pujança e não precisa de ninguém para fiscalizá-la. A ética é o caminho que nos levará a uma sociedade mais harmônica”, resumiu.

Clóvis, que é autor de mais de 15 livros e idealizador do Espaço Ética - meio pelo qual promove estudos, encontros e discussões sobre questões éticas, filosóficas, compliance e outros temas - argumentou que é preciso utilizar inteligência e discernimento para identificar oportunidades dentro do mundo digital. “Estamos diante de um terreno desafiador e é preciso que saibamos como agir de modo que a tecnologia nos sirva para abrandar nossas dores. É preciso ter uma técnica que esteja sempre a serviço da vida boa e da vida feliz”, analisou.

Por que precisamos recriar a internet?

O cientista da computação, músico, escritor e um dos percursores do movimento de realidade virtual, Jaron Lanier, foi quem encerrou o Sebrae Inova Digital. Ele começou sua exposição falando do poder manipulador das redes sociais e afirmou que sociedades em todo o mundo se tornaram escravas emocionais de um emaranhado de algoritmos.

Lanier bateu nessa tecla e fez uma forte provocação sobre o porquê é preciso estar conectado à internet o tempo todo. Ele induziu os espectadores a refletirem se seriam mais felizes se fossem um pouco menos viciados no mundo virtual. “Não sei o que é certo para o outro, mas acredito que cada pessoa deve tomar sua própria decisão e se perguntar: ‘o que aconteceria se eu deixasse as redes sociais?’, disse.

O cientista, um dos entrevistados do documentário O Dilema das Redes, comparou o uso frequente das redes sociais ao vício em jogos e assegurou que as pessoas têm suas vidas extremamente afetadas pela permanência exagerada na internet. Lanier afirmou que o modelo desenvolvido por grandes empresas digitais, como Google e o Facebook, torna os computadores e os algoritmos cada vez mais eficientes para manipular o cérebro humano, o que conduz os usuários a comportamentos específicos, mas que ainda podem ser corrigidos. Ele ainda completou sua explicação dizendo que “muita gente tem medo de que, ao deletar suas redes, ela própria possa deixar de existir.”

O processo de correção de todo esse ‘estrago’, segundo Lanier, seria a elaboração de um modelo de negócios totalmente diferente do que atualmente sustenta a rede mundial de computadores, o da publicidade. A solução não aconteceria da noite para o dia, mas gradualmente, a partir da criação de um sistema em que as pessoas possam ser monetizadas pelo que fazem online e também paguem pelo que gostam de fazer na internet, como usar redes sociais ou realizar buscas em um site. Na avaliação do cientista, esse processo tornaria a relação entre usuários e empresas mais direta e honesta. “Acredito que um pouco da influência do capitalismo pode ajudar a melhorar o ambiente das redes sociais”, defendeu.

Lanier foi questionado sobre a situação dos pequenos negócios que, devido à explosão de casos de Covid-19, precisaram buscar soluções como aumentar a presença digital para não quebrarem. Ele respondeu saber que as pequenas empresas estão atualmente dependentes do mundo virtual, mas recomendou que os empresários utilizem a internet para estabelecer conexões diretas com o seu público, como transmissões em tempo real, que sofrem menos intervenção de algoritmos.

Jaron não tem perfis em redes sociais e, ao final do evento, foi questionado sobre como promove seu trabalho em uma era de transformação digital. “Existe todo um mundo humano fora das redes sociais e antes da chegada delas eu já trabalhava. Mantenho contatos com pessoas influentes e programas de TVs e consegui ser respeitado pelo meu trabalho, sem a influência de algoritmo nenhum”, completou.

 

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Paulo César Gusmão Gomes

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