Só para mulheres

Empresária investe em oficina mecânica para mulheres

Determinada, a empresária Agda Oliver aprendeu tudo sobre automóveis e hoje faz sucesso com condutoras da cidade.

Azar do mecânico que um dia enganou Agda Oliver, 31 anos. Ressentida com o alto valor pago por uma revisão do veículo e por peças que nem sequer existiam no automóvel novo, resolveu aprender tudo sobre o assunto que tanto encanta o universo masculino para nunca mais ser passada pra trás. Com tanta pesquisa para entender os desenhos que enfeitam o painel, acabou se apaixonando e resolveu abrir o próprio negócio em um ramo ainda considerado inusitado para mulheres.

Antes da oficina Meu Mecânico, Agda nunca pensou em trabalhar no setor. “Era bancária e meu dia-a-dia estava completamente distante de graxas e carburadores. Não sabia nada sobre o assunto”. Quando foi trapaceada por um mecânico e pesquisou na internet sobre as principais dúvidas, percebeu que o questionamento era comum entre outras condutoras. “Sempre tive vontade de empreender, ser dona do meu próprio negócio. Ao conhecer a história de outras mulheres que foram enganadas em oficinas, percebi que montar uma empresa no segmento voltada para mulheres seria uma ótima oportunidade”, conta.

O pontapé inicial foi alugar um espaço em que já havia funcionado uma oficina. Novata nos negócios, encontrou no Sebrae no DF a possibilidade de fazer a empresa dar certo. “Participei de um curso sobre inovação e foi lá que desenvolvi a ideia do projeto TPM – Terça Para Mulheres”. A iniciativa foi elogiada por consultores da instituição, e Agda foi convidada a expor a ideia na Feira do Empreendedor 2011.

Ao chegar na oficina, que fica em Ceilândia, as clientes se deparam com paredes cor de rosa. Enquanto o carro é revisado, as freguesas seguem para um salão de beleza e têm direito a desconto em uma rede de academias de ginástica da cidade, além de tratamento de pele com consultora à domicílio. “Também forneço dicas por email sobre manutenção, revisão e como trocar pneu, por exemplo. Além disso, promovo promoções internas só para a clientela fidelizada”, conta. Aquelas que se interessarem pelo universo de automóveis podem participar de uma explicação exclusiva sobre como funciona cada equipamento. “Não é toda mulher que gosta”, adverte.

A empreendedora credita parte do sucesso à ajuda que teve do Sebrae no DF. “Ainda recebo consultoria financeira e a visita dos Agentes Locais de Inovação (ALI). Se não fosse pela instituição, não sei se ainda estaria com as portas abertas. Sei que toda empresa passa por dificuldades nos primeiros anos, mas ao participar dos cursos eu aprendi que o planejamento é essencial para que a empresa sobreviva e, principalmente, lucre”. Agda investe na capacitação dos quatro funcionários para que cresçam junto com a empresa. “Já participaram de cursos de atendimento ao cliente e vendas”.

Otimista com a oficina, já planeja novos meios para crescer e sabe bem o caminho que pretende trilhar. “Em cinco anos, quero montar franquias por Brasília e quem sabe até em outras cidades. Até lá, quero estar preparada e padronizar tanto o atendimento quanto a estrutura da oficina”. Outra ideia é montar um salão de beleza anexo ao estabelecimento. “Quero que minhas clientes saiam felizes e poderosas de uma oficina mecânica, e não revoltadas com o atendimento como aconteceu comigo há alguns anos atrás”, finaliza.


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